De Gaspari já esperava, de Pondé não.
O texto de Gaspari vai abaixo na cor do capeta. O frei comenta em Azul que é a cor da Virgem Maria.
Tudo o que se pode esperar da escolha do sucessor de Bento XVI é o fim de um Vaticano eurocêntrico. Desde que Karol Wojtyla tornou-se João Paulo II, a Europa é o centro das atenções da Cúria. O Papa polonês cumpriu uma fenomenal missão histórica ajudando a desmontar décadas de tolerância com as ditaduras comunistas.
Curioso o cara que baba o ovo de Lula falar do fim das ditaduras comunistas.
Seu sucessor teve um pontificado medíocre enrolado pela tolerância com escândalos sexuais e financeiros de sacerdotes. Um deles passou de raspão pelo Brasil, num trambique do namorado da atriz Anne Hathaway, sócio do sobrinho do atual decano do Colégio de Cardeais, o poderoso ex-secretário de Estado Angelo Sodano. A moça micou em US$ 135 mil e o rapaz foi preso nos Estados Unidos.
Medíocre é o seu jornalismo de quarta categoria! Tolerancia? Quem dissolveu o rolo nos Legionários de Cristo? Quem mandou uma penca de bispos para a aposentadoria? Acerta quem diz Bento XVI, mas o mentecapto Gaspari resolve julgar um papado que não acabou ainda da maneira mais rasa possível.
As dificuldades do Vaticano com suas finanças são antigas. Foi Pio IX quem avisou: “Posso ser infalível, mas estou falido.” Já os desempenhos sexuais de alguns sacerdotes, mesmo sendo coisa antiga, tornaram-se uma encrenca recente, com a qual João Paulo II e Bento XVI nunca conseguiram lidar direito, envenenando a missão pastoral de dioceses europeias e americanas.
O mesmo Gaspari que não fala das peripécias sexuais do Lula vem querer cantar de galo para cima da Igreja. Se tem sacerdote que não consegue guardar o pinto dentro da batina é herança de Paulo VI, com todo respeito a Paulo VI.
O eurocentrismo da Cúria Romana refletiu-se no Brasil. Durante o pontificado de Paulo VI, Pindorama passou de dois para oito cardeais. Hoje tem cinco. Bento XVI deixou sem o barrete cardinalício as arquidioceses do Rio e de Brasília. Porto Alegre teve cardeal e está sem. Recife, a primeira sé cardinalícia brasileira, está na segunda divisão desde os anos 60, quando a ditadura hostilizava D. Helder Câmara e não queria vê-lo cardeal.
Dom Helder, que Deus o tenha, não era cara para ser cardeal. A falta de barrete no Rio na minha opinião diz mais respeito ao atual bispo do Rio que ao Rio em si.
Se foi econômico com os barretes brasileiros, Bento XVI foi generoso aspergindo-os pela Europa. Elevou a diocese de Valencia (800 mil habitantes), na Espanha, mas não confirmou o barrete de Porto Alegre (1,5 milhão de habitantes).
Análise estúpida. Veja a tradição de Valencia e de Porto Alegre na história da Igreja.
Quem especular o nome do sucessor de Ratzinger pode jogar cara ou coroa. Nos seis últimos conclaves elegeram-se três favoritos (Ratzinger, Paulo VI e Pio XII) e três azarões (João Paulo II, João Paulo I e João XXIII, um gorducho que mal cabia nas vestes preparadas pelos alfaiates que trabalharam durante o conclave.)
Chamar João XXIII de gorduchinho é a cereja no bolo de m*rda que Gaspari escreve.
Pode-se esperar que, depois de um Papa saído da academia de teólogos e da burocracia de Roma, venha um pastor, como os dois João Paulo e João XXIII. Um administrador de diocese do Terceiro Mundo uniria o útil ao agradável.
Isso, um Hugo Chavez é o que Gaspari quer.
É assim que entra nas listas, com um sopro romano, o cardeal de São Paulo, D. Odilo Scherer, pastor de uma das maiores arquidioceses do mundo.
Aos 63 anos, teria um longo pontificado. Ele tem uma característica anfíbia. É brasileiro, mas, como quatro outros cardeais brasileiros (Claudio Hummes, Paulo Evaristo Arns, Aloisio Lorscheider e Vicente Scherer, seu parente distante), descende da imigração alemã. A mola mestra da eleição dos dois últimos papas foi a capacidade de articulação da hierarquia alemã.
O Espirito Santo mandou dizer que o excesso de pinga no Carnaval pode fazer a mente ficar embotada
D. Odilo lidera a facção conservadora do clero brasileiro, derrotada na última eleição da CNBB e nas eleições gerais em que se meteu.
Facção que eu saiba é o PCC, CV, Hamas, etc.
Para consumo mundial, preenche o requisito de um Papa do Terceiro Mundo, condição só superável pela escolha de um africano como Francis Arinze, de Lagos. Mais que africano, Arinze tem 80 anos e passou 25 em Roma. Seria um Papa de transição.
Com uma eleição marcada para o fim de março e um Papa vivo, vem aí um conclave inesquecível.
Elio Gaspari é jornalista
O nível do jornalismo Brasileiro está no esgoto.
